segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Algemas em crise

Como as coisas mudam. Parece que foi ontem. Éramos uma piquenas tão felizes. Passava-mos as noites envoltas em cremes corporais e cds do Rick Martin.
Agora já ninguém nos pega. Quem é que quer ferragem velha como nós, quando a internet faz maravilhas.
A 3 meses de acabar o fundo desemprego, o que vai ser da nossa vida. Só nos resta o desterro da gaveta das meias.
Orgasmo? Já esquecemos o barulho e o cheiro.
É verdade que a vida não está fácil para ninguém, mas para nós nem se fala.
Antigamente, era dia sim, dia não. Esfregávamo-nos nos pulsos, nos tornozelos. Que saudades. Depois foi só à sexta-feira e era só num pulso. Diga-se de passagem que nunca percebemos porquê.
Para além da falta de procura, agora não exigem só experiência profissional. Para se algemar eroticamente tem que se ter o 9º ano.
-Isto admite-se. Dissemos à técnica do centro de emprego.
-Agora com esta idade, pêlo seco, ferrugem na dobradiça e com a chave gasta é que vamos estudar. Acrescentamos decididas.
-Por que é que não tiram o curso de “Sistemas Inovadores de Trancas de Portões e Afins”: Propôs-me ela de uma assentada.
Por amor de deus! É preferível ir para a cintura de um polícia, combater o crime.
Pois é. Mas como? Já ninguém prende os maus. Os maus até servem para aumentar o share televisivo.
Temos o destino traçado. Pré-reforma, reforma, deixamos definitivamente de abrir e pronto. Ou vamos para um ferro velho de Benfica ou as nossas filhas metemo-nos numa banca de um carocho na Feira da Ladra.

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